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Para o que serve uma música de amor...

Certa vez me peguei pensando sobre todas as músicas que significavam essa ou aquela pessoa na minha vida... As grandes paixões, os frios na barriga, os desencontros, as brigas, dias normais, talvez todos esses momentos fossem dignos de lembrança, e cada pessoa que tivesse, talvez me ajudado a criar aquele momento, poderia também merecer uma música que fosse especial pra mim. E foi aqui nesse trecho "especial pra mim" que começou a me fazer entender que provavelmente era só pra mim mesmo. Assim como você pode ser lembrado ao som de uma bossa nova pela pessoa, ela pode ser lembrada por você por um rock...dependendo do momento de cada um, dependendo o sentimento despertado dentro da pessoa por você. Isso mudou bastante coisa dentro da minha crença de que tal música fosse de alguém, sabe? E também, que triste seria, se aquela música que nos formasse, fizesse parte das nossas vidas, num momento muito feliz, atribuissemos exclusivamente a uma pessoa...e a parte triste vem, no momento que tal música, antes adorada, se tornasse um motivo de lembrança ruim, um gatilho pra chorar e ter o dia, a semana estragada? Foi naquele momento, que faz alguns anos, mas não consigo precisar a data, que comecei a tentar o máximo que fosse possível, desagregar músicas, principalmente as de amor, de pessoas. É bom, porque poupa a gente de ter que fugir ao ouvir "aquela música, que lembra aquela pessoa, naquele momento", mas às vezes, raras vezes, é tão bom deixar a música servir pra até nos proteger de nós mesmos, nos lembrando de tudo (de bom e ruim) que aconteceu em determinados momentos. E vai ver que é até mais simples...músicas de amor sirvam pra nos lembrar sobre nós mesmos, antes de tudo, e que amar fora de nós, talvez seja apenas a forma mais sincera de espelhar o amor que temos por nós mesmos, o amor que nos devolve a nós e que ao final das contas somos feitos por emoções e as regras servem raramente. As músicas de amor são nossas, e não das pessoas que amamos. Servem para sermos mais felizes, mais auto conhecedores, mais humanos em meio até a situações não tão dignas de terem músicas dedicadas, à pessoas, a momentos ou a estórias.

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